• Angola defende financiamento para a transição energética


    Angola apelou, neste domingo, na cidade de Malabo, Guiné Equatorial, aos membros da Organização dos Estados de África, Caraíbas e Pacífico (OEACP), à mobilização de financiamento misto para a industrialização verde e à urgência na transição energética, de modo a construir economias sustentáveis.

    A posição de Angola ficou expressa numa declaração proferida pelo ministro da Agricultura e Florestas, Isaac dos Anjos, durante a intervenção no painel sobre “Industrialização verde e valorização dos recursos naturais”.

    Segundo Isaac dos Anjos, o apelo de Angola é sustentado pelo facto de a 11ª Ci-meira da OEACP decorrer num contexto em que o continente africano procura mobilizar mais de 100 mil milhões de dólares para a “Iniciativa Africana de Industrialização Verde”.

    Esta iniciativa, sublinhou Isaac dos Anjos, tem como propósito acelerar as indústrias baseadas em energias renováveis e expandir cadeias de valor regionais, com foco na mobilização de capital, clusters industriais verdes e harmonização de políticas, no âmbito da Zona de Livre Comércio Continental Africana, e transferência de conhecimento e competências.

    “Angola participa no painel sobre industrialização verde e valorização dos recursos naturais num momento de transição, em que termina o seu mandato à frente da OEACP, procurando reforçar a sua liderança regional com uma agenda centrada na transição energética, modernização agrícola, inovação e utilização sustentável dos seus recursos naturais”, disse Isaac dos Anjos.

    O ministro fez questão de partilhar a experiência angolana, esclarecendo que o panorama da industrialização verde no país apresenta vantagens claras na transição, com mais de 56 por cento da electricidade proveniente de fontes hidroeléctricas e uma estratégia de diversificação energética, com realce para solar, eólica e hidrogénio verde.

    O país, enfatizou Isaac dos Anjos, está a desenvolver parques industriais verdes e zonas económicas especiais, integrando inovação e startups tecnológicas, enquanto investe em infra-estruturas estratégicas como o Corredor do Lobito, essencial para a competitividade e integração regional.

    “Este posicionamento, aliado ao uso de energia limpa, coloca Angola na linha da frente da descarbonização do sector mineiro e da integração nas cadeias globais da economia verde”, revelou, para em seguida acrescentar que Angola está a diversificar a sua produção energética, com o objectivo de que mais de 70 por cento da energia provenha de fontes limpas, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis para a melhoria da sustentabilidade.

    Com a aposta na implementação de projectos de hidrogénio verde, destacou o ministro, Angola prevê desbloquear o seu potencial em produzir e exportar amónia verde, além de usar o produto para fomentar uma agricultura mais sustentável.

    Eixos importantes da industrialização

    O ministro ressaltou, ainda, que constituem eixos importantes da industrialização verde em Angola, o investimento na transformação do sector Agro-alimentar, com o uso de tecnologias limpas, como a irrigação solar, bem como o foco na mineração responsável de terras raras, alinhada com a responsabilidade ambiental e transparência.

    Outro elemento importante, acrescentou Isaac dos Anjos, prende-se com as parcerias para o financiamento. E, nesse aspecto, o ministro explicou que Angola tem levado a cabo um conjunto de medidas para atrair investimentos que se destinem à economia verde.

    “Muito recentemente, o Governo de Angola firmou um acordo de 50 milhões de euros com a União Europeia para desenvolver cadeias de valor agrícolas no Corredor do Lobito. O Fundo Soberano de Angola também está a financiar iniciativas de energias limpas”, reforçou.

    Apresentados números do potencial agrícola

    O ministro da Agricultura e Florestas recorreu aos números para espelhar o elevado potencial do sector Agrícola de Angola.

    O país, de acordo com Isaac dos Anjos, dispõe de cerca de 35 milhões de hectares aráveis, dos quais apenas 17 por cento são explorados, tendo citado dados do Relatório da Campanha Agrícola 2023/2024.

    Os sectores da Agricultura, Silvicultura e Pescas, explicou o ministro, empregam cerca de 16,8 por cento da população e somados participam com 25,24 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados de 2025.

    Os principais constrangimentos do sector agrícola em Angola, revelou Isaac dos Anjos, prendem-se com infra-estruturas e logística insuficientes, limitando o acesso a mercados e à competitividade.

    Citou, igualmente, a elevada vulnerabilidade climática, com secas e irregularidade de chuvas, que tendem a agravar-se, admitindo, por isso, a necessidade de expansão da irrigação, aproveitando o facto de o país possuir uma enorme rede hidrográfica.

    O desafio central, afirmou o ministro, é transformar um sector com grande base de recursos e mão-de-obra em motor de crescimento produtivo, resiliente e orientado ao mercado.