Angola está entre as nações africanas com maior proporção de energia limpa
Angola destaca-se entre as nações africanas com maior proporção de energia limpa no seu consumo interno, resultado de uma estratégia macroeconómica que visa a redução sustentável das emissões de gases com efeito de estufa.
A afirmação foi feita ontem, em Luanda, pelo presidente da Assembleia Nacional, Adão de Almeida, durante o acto de abertura da II Conferência sobre Ambiente.
Na sua intervenção, o líder do Parlamento sublinhou o progresso do país na consolidação de uma matriz energética predominantemente assente em fontes hídricas e solares.
Embora Angola seja responsável por apenas 0,21% das emissões globais de carbono, Adão de Almeida apontou para um paradoxo climático. O território nacional tem sido severamente castigado pelos impactos do aquecimento global, enfrentando secas prolongadas, cheias, erosão costeira, desertificação e a degradação acelerada dos ecossistemas.
Estes fenómenos, sublinhou o líder parlamentar, afectam de forma directa a segurança alimentar, o abastecimento de água potável e a estabilidade económica geral.
Promovida pela 10.ª Comissão da Assembleia Nacional — sob o lema “Acção Climática: Responder aos Sinais da Terra e Construir um Futuro Sustentável” —, a conferência debruçou-se sobre os elevados custos humanos e financeiros desta crise global.
Como base de análise, o presidente do Parlamento evocou o Relatório sobre Clima e Desenvolvimento de Angola, publicado pelo Banco Mundial. O documento estima que, devido a eventos climáticos extremos ocorridos nas últimas décadas, cerca de 4,5 milhões de pessoas foram afectadas, gerando prejuízos económicos na ordem dos 1,2 mil milhões de dólares.
Diante deste cenário, Adão de Almeida enfatizou a urgência de robustecer o quadro legislativo e fiscalizador e aplaudiu a aprovação da Estratégia Nacional para as Alterações Climáticas 2022-2035, alinhada com o Acordo de Paris.
O dirigente destacou, igualmente, as infra-estruturas de resiliência criadas pelo Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola, com destaque para a construção do Canal do Cafu, na província do Cunene.
Em termos sectoriais, o líder parlamentar enalteceu as políticas voltadas à redução das emissões de dióxido de carbono e metano na indústria petrolífera, nomeadamente através da eliminação da queima rotineira de gás (flaring) e do aumento da eficiência energética.
Entre as acções prioritárias articuladas com o Acordo de Paris, foram ainda listados os programas regionais de reflorestação contra a desertificação, as campanhas de plantação de mangais para conservação da costa, as iniciativas de protecção da biodiversidade e o plano de redução gradual dos plásticos de uso único.