• Angola defende maior participação das mulheres nos processos de paz na região dos Grandes Lagos


    O alerta foi lançado, ontem, em Dar es Salaam, pelo líder da Assembleia Nacional e presidente em exercício do Fórum dos Parlamentos da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos (FP-CIRGL), Adão de Almeida.

    Durante a sua intervenção na abertura da Conferência de Mulheres Parlamentares da CIRGL sobre Paz, Segurança e Desenvolvimento, Adão de Almeida sublinhou que “não haverá paz sustentável sem o envolvimento das populações directamente afectadas pelo conflito, muito menos se faltar a confiança entre os Estados-membros”.

    Durante a sua intervenção, Adão de Almeida sublinhou que a construção de uma estabilidade duradoura na região depende, obrigatoriamente, de uma maior inclusão e do reforço da diplomacia preventiva.

    De acordo com o líder parlamentar, a participação efectiva das mulheres nos processos de prevenção, mediação, negociação e consolidação da paz são instrumentos verdadeiramente seguros para garantir estabilidade em qualquer região de África.

    As mulheres, segundo Adão de Almeida, sentem de forma directa as consequências mais severas da instabilidade, lembrando que são elas as principais “obrigadas a abandonar as suas casas”, dividindo-se entre o papel de mães que lutam para manter as famílias unidas e o de jovens que veem a sua educação interrompida, ficando expostas a riscos acrescidos de violência e exploração.

    Para o presidente em exercício do FP-CIRGL, seria incompleto falar das mulheres apenas a partir das consequências que sofrem. “Em toda a região, as mulheres organizam respostas comunitárias, prestam assistência, defendem direitos, promovem o diálogo e ajudam a construir relações de confiança”, destacou.

    A participação efectiva das mulheres, ressaltou, exige mais do que a abertura formal de um lugar à mesa, determinam acções que possam influenciar a agenda, apresentar propostas e participar nas decisões, olhando sempre pelo reconhecimento, competência e legitimidade das comunidades que representam.

    Adão de Almeida lamentou que a Região dos Grandes Lagos continue a enfrentar desafios complexos. O dirigente apontou os conflitos armados, os deslocamentos forçados, a exploração ilícita de recursos naturais e a pobreza como realidades alarmantes.

    Sublinhou ainda que as persistentes tensões entre comunidades e Estados geram graves consequências humanitárias, afectando, de forma flagrante, mulheres e crianças.

    Na visão do líder parlamentar, a actual situação que a Região atravessa exige uma resposta concertada, assente no diálogo, diplomacia e em soluções políticas sustentáveis, sublinhando ser urgente encontrar soluções para todos os conflitos que ainda existem.

    Angola, com a autoridade de um país que conhece de perto o valor da paz e os custos da guerra, tem procurado contribuir activamente para a aproximação das partes envolvidas em conflitos regionais. Adão de Almeida enfatizou que o país defende uma solução política africana e duradoura, actuando sempre em estreita coordenação com os demais esforços internacionais.