Angola considerou essencial preservar a realização neste mês de Julho da 49ª Sessão Ordinária do Conselho Executivo da União Africana (UA), justificando a urgência com a aprovação do Orçamento para 2027, o processo de submissão de candidaturas ao sistema internacional e a continuidade das reformas institucionais em curso.
A posição foi defendida ontem, em Luanda, pelo ministro das Relações Exteriores, Téte António, ao intervir em representação do Presidente da República, João Lourenço, durante a 2ª Reunião do Bureau da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da organização continental.
O encontro virtual, orientado pelo Presidente do Burundi e actual líder em exercício da UA, Évariste Ndayishimiye, apreciou a proposta do Egipto para adiar a referida sessão e a 8ª Reunião de Coordenação Semestral entre a União Africana, as Comunidades Económicas Regionais e os Mecanismos Regionais.
Os eventos estavam inicialmente previstos para decorrer entre 24 e 27 de Junho, na cidade egípcia de El Alamein, mas foram adiados devido ao recente surto de Ébola registado no continente.
Neste contexto, o chefe da diplomacia angolana manifestou a solidariedade do país para com o Governo egípcio, reconhecendo as circunstâncias excepcionais que motivaram o pedido.
Contudo, Téte António alertou que esta situação sanitária não deve comprometer o normal funcionamento da União Africana, nem a execução do calendário institucional previamente aprovado.
Para salvaguardar os trabalhos administrativos, a República de Angola recomendou que a reunião do Conselho Executivo se realize já neste mês de Julho, sugerindo a adopção do formato virtual.
Paralelamente, o ministro Téte António referiu que o país apoia a data proposta pelo Egipto para que a Reunião de Coordenação Semestral e a Cimeira de Chefes de Estado e de Governo tenham lugar em Outubro deste ano.
O ministro sublinhou que não é a primeira vez na história da organização que se enfrentam circunstâncias excepcionais, o que legitima a tomada de uma decisão equilibrada que garanta a continuidade e a eficácia das actividades continentais.
Em nome de Angola, o ministro Téte António reafirmou o firme compromisso do país com uma União Africana cada vez mais capaz de responder aos desafios comuns, preservando os princípios de solidariedade, consenso e unidade.
A Reunião do Bureau da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo funciona como a Comissão Executiva Política da União Africana (UA).
Esta estrutura restrita é composta por cinco Chefes de Estado, que representam as cinco regiões geográficas do continente, competindo-lhe alinhar agendas urgentes, articular decisões de crise e preparar as grandes cimeiras anuais fora das sessões plenárias convencionais.