Angola vai passar amanhã à Guiné Equatorial o testemunho da presidência rotativa da Organização dos Estados de África, Caraíbas e Pacífico (OEACP), durante a 11ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo, que se realiza de hoje a domingo na cidade de Malabo.
O Chefe de Estado angolano, João Lourenço, que chega hoje a Malabo, de acordo com informações divulgadas, ontem, pelo secretário do Presidente da República para os Assuntos de Comunicação Institucional e Imprensa, Luís Fernando, será o grande protagonista do acto de transferência da liderança ao homólogo equato-guineense, Teodoro Obiang Nguema.
Desde 2022 à frente da OEACP, João Lourenço vai finalizar o seu mandato, pelo que, segundo ainda Luís Fernando, esta Cimeira deve servir de balanço do trabalho feito pela presidência angolana.
Quando assumiu em 2022 a liderança rotativa da organização, que integra as três regiões do mundo, num total de 79 nações, o Presidente da República destacou o facto de a maior parte dos Estados que compõem a OEACP apresentarem indicadores de desenvolvimento quase sempre abaixo dos aceitáveis a nível internacional, tendo considerado um desafio alterar o quadro.
"É importante ganharmos consciência da nossa força e da nossa capacidade colectiva, para agirmos e tornarmo-nos num factor de equilíbrio no mundo adverso em que vivemos, no qual os interesses de cada um, por nem sempre terem em conta os interesses dos demais, são sempre susceptíveis de gerar tensões que ameaçam a paz e a segurança internacional", disse, na altura, João Lourenço, na Cimeira de Luanda.
O Chefe de Estado angolano acrescentou, na ocasião, que se precisava agir de modo a organização resolver o que denominou como as grandes "preocupações da humanidade", ou seja, a fome, o combate à pobreza, às alterações climáticas e à "utilização e gestão sustentável dos recursos naturais".
Esta Cimeira de Malabo tem grande importância histórica, escrevem os jornais da Guiné Equatorial, em virtude de coincidir com o 50º aniversário da Organização, fundada em 1975 como ACP e renomeada OACP, após a assinatura do Acordo de Georgetown em 2020.
Além da dimensão comemorativa, a Cimeira de Malabo representa, também, um momento crucial para a aliança dos Estados, na medida em que ocorre num contexto internacional profundamente transformado, marcado por mudanças geopolíticas, económicas, climáticas e tecnológicas sem precedentes, aceleradas e, muitas vezes, imprevisíveis.
O evento decorre sob o lema "Uma OEACP Transformada e Renovada num Mundo em Mudanças", devendo o encontro dos líderes redefinir os fundamentos da acção colectiva, por intermédio de um roteiro ambicioso, compatível com os desafios contemporâneos e as legítimas aspirações das respectivas nações e povos.
Hoje, para a abertura da Cimeira, decorre a reunião do Conselho de Ministros da OEACP, onde deve intervir o chefe da diplomacia angolana, Téte António.
O evento foi antecedido, ontem, dos Fóruns de Mulheres e da Juventude, na antevisão à 11ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da Organização dos Estados de África, Caraíbas e Pacífico.