• Líder católico crê no crescimento de Angola


    Angola pode crescer muito se as autoridades acreditarem na multiformidade da sua riqueza, afirmou o Papa Leão XIV, neste sábado, 18 de Abril, em Luanda.
    A frase foi proferida na presença do Chefe de Estado angolano, João Lourenço, durante o encontro com o corpo diplomático, membros da sociedade civil e religiosos, no Salão Protocolar da Presidência da República.
    O Sumo Pontífice apelou a uma política centrada no encontro, na escuta e na justiça.
    “Sem alegria não há renovação, sem interioridade não há libertação, sem encontro não há política”, afirmou e sublinhou que “juntos, podeis fazer de Angola um projecto de esperança”.
    Segundo o Papa, não se deve temer as divergências nem sufocar as aspirações das diferentes gerações.
    Na sua mensagem, destacou a importância de gerir conflitos de forma construtiva, transformando-os em oportunidades de renovação e colocando sempre o bem comum acima de interesses particulares.

    Durante o discurso, o líder da Igreja Católica criticou tendências como o fanatismo, a submissão, o ruído mediático, o sentimento de impotência e de desenraizamento, alertando que tais comportamentos contribuem para a negação de todo o tipo de fraternidade.
    “Tal incongruência desagrega as relações fundamentais que cada um mantém consigo mesmo”, frisou.
    Acrescentou que a polarização e a exacerbação de conflitos têm afastado as sociedades da verdadeira alegria, que descreveu como aquilo que “intensifica a vida e impulsiona para o campo aberto da sociedade”.

    O Papa Leão XIV enfatizou que África representa uma reserva de esperança para o mundo, especialmente pela força dos seus jovens e pela resiliência dos mais desfavorecidos, que continuam a sonhar e a lutar por melhores condições de vida.
    “Não temais as divergências, nem apagueis as visões dos jovens e os sonhos dos idosos”, afirmou, defendendo que o conflito não deve ser visto como uma ameaça, mas como uma oportunidade de crescimento.
    Segundo explicou, esse desejo profundo de transformação social supera qualquer ideologia ou programa político.
    O Pontífice defendeu também que o diálogo é o ponto de partida para superar conflitos, propondo uma abordagem que não ignore nem alimente as tensões, mas que as transforme em oportunidades de construção de unidade.
    “Somente no encontro a vida floresce”, afirmou, incentivando os presentes a adoptarem uma postura aberta e comprometida com a reconciliação.
    Dirigindo-se às autoridades e à sociedade angolana, destacou o papel da Igreja Católica como promotora de um modelo de convivência mais justo, livre de desigualdades impostas por elites e baseado na dignidade humana.
    Reforçou que o desenvolvimento do país depende da valorização dos talentos do seu povo, tanto nas áreas urbanas como nas regiões rurais mais remotas.
    “Juntos poderemos multiplicar os talentos deste povo maravilhoso, mesmo nas periferias urbanas e nas regiões rurais mais remotas, onde pulsa a sua vida e se prepara o seu futuro”.
    Na sua mensagem, o bispo católico apelou à eliminação dos obstáculos ao desenvolvimento humano integral, “lutando e esperando como aqueles que o mundo rejeitou, mas que Deus escolheu”.
    “Foi assim, na verdade, que surgiu a nossa esperança. A pedra que os construtores rejeitaram veio a tornar-se pedra angular”, disse o Santo Padre.
    Durante o encontro, o Papa Leão XIV manifestou solidariedade para com as vítimas das inundações que atingiram a província de Benguela, assegurando orações e apoio espiritual às famílias afectadas.
    O líder católico afirmou que acompanha com preocupação a situação vivida em Benguela, expressando proximidade sobretudo às famílias que perderam as suas casas e bens materiais.

    O Papa Leão XIV reconheceu que os angolanos estão unidos em uma grande corrente de solidariedade em favor dos atingidos e referiu, em particular, a alegria resiliente do povo, que persiste mesmo diante das adversidades mais severas.