A ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, apresentou, hoje, dia 11 de Março, em São Paulo, Brasil, um balanço dos investimentos e resultados alcançados no sector da saúde angolano, com destaque para o reforço da formação de recursos humanos.
Sílvia Lutucuta falava durante a aula inaugural do Ciclo 2026 do Programa de Formação de Recursos Humanos em Saúde Brasil–Angola, realizada na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), conforme um comunicado de imprensa.
O evento reuniu autoridades dos governos de Angola e do Brasil, entre as quais a directora adjunta do Instituto de Especialização em Saúde (IES), Ilda Jeremias, a directora nacional para a Saúde Pública, directores de gabinetes provinciais de saúde, representantes do Ministério da Saúde do Brasil, membros da coordenação da Unidade de Implementação do Projecto de Formação dos Recursos Humanos em Saúde (PFRHS), Job Monteiro, especialistas e consultores do Ministério da Saúde de Angola, técnicos do programa e bolseiros angolanos que frequentam instituições académicas brasileiras.
Entre os responsáveis provinciais, estiveram os directores dos gabinetes provinciais de saúde do Bengo, Cubango, Cuanza-Sul, Cunene, Huambo, Icolo e Bengo, Moxico, Lunda-Norte , Namibe, Huambo e Luanda, bem como representantes de instituições hospitalares e pedagógicas ligadas ao sector da saúde.
Durante a aula magna, a ministra da Saúde destacou os avanços registados pelo sector, nos últimos anos, com particular ênfase para a expansão da força de trabalho e a qualificação de profissionais.
Segundo Sílvia Lutucuta, Angola realizou os três maiores concursos públicos da história do sector da saúde, permitindo um aumento de 43,6% da força de trabalho, passo considerado fundamental para alcançar a cobertura universal dos serviços de saúde no país.
No domínio da formação médica, revelou que cerca de 4.000 médicos internos de especialidade estão actualmente em formação, em Angola, distribuídos por 39 programas de especialização, com destaque para a medicina geral e familiar. Apenas em 2025 foram certificados 399 novos especialistas nesta área.
Outro marco realçado foi o início da formação pós-graduada em enfermagem, estruturada em 10 programas de especialização, pela primeira vez no sector público angolano.
A iniciativa deverá permitir a qualificação de 3.954 enfermeiros em áreas consideradas prioritárias, como enfermagem médico-cirúrgica, saúde comunitária, pediatria, saúde materna e neonatal, emergência e trauma, nefrologia, cuidados intensivos, infectologia, dermatologia com ênfase em feridas, anestesiologia e reanimação.
A titular da pasta da Saúde sublinhou, igualmente, que estas iniciativas fazem parte de um programa nacional de especialização de 38 mil profissionais de saúde até 2028. Deste total, 20% deverão realizar formação no exterior, enquanto 80% serão formados em Angola, reforçando simultaneamente a capacidade interna do sistema nacional de saúde.
Cooperação com Brasil
No âmbito da cooperação com o Brasil, Sílvia Lutucuta informou que 11.648 profissionais angolanos já beneficiam directamente das iniciativas de formação, incluindo 1.174 profissionais actualmente em formação no exterior.
Entre estes, 783 profissionais realizam os estudos no Brasil, número que deverá aumentar ainda este ano com mais de 800 novos profissionais com processos de formação em preparação.
A cooperação envolve 68 instituições brasileiras de ensino e investigação, distribuídas por 23 estados, que acolhem profissionais angolanos em programas de estágios de curta, média e longa duração, especializações e programas de fellowship.
Para o ano académico de 2026, as instituições brasileiras disponibilizaram 1.403 vagas de formação, das quais 771 já foram preenchidas por profissionais angolanos seleccionados para iniciar os estudos no Brasil.