A capital do país vai acolher, em Agosto deste ano, uma cimeira sobre os conflitos em África, promovida pela União Africana (UA), anunciou quarta-feira, em Luanda, o Presidente da República.
O evento, avançou o estadista angolano, vai analisar os conflitos no continente, cujo foco principal, tal como sublinhou, vai centrar-se na questão da paz como um bem precioso e indeclinável para o bem-estar dos povos e o desenvolvimento económico de África.
João Lourenço fez saber que o continente africano continua a registar um recrudescimento da tensão e dos conflitos, tendo apontado como exemplos a "grave" situação que se verifica no Mali e na Região do Sahel, no Sudão, na República Democrática do Congo e em alguns outros pontos, "em que parece não haver um fim à vista para as guerras que aí se desenrolam".
O Chefe de Estado disse que África não é uma excepção em matéria de instabilidade e insegurança, se se olhar para o mundo de hoje, que disse estar cada vez mais perigoso, "muito especialmente para o conflito que opõe a Rússia à Ucrânia, o do Médio Oriente, onde paira uma grande ameaça à paz e à segurança mundiais e à economia mundial, o que acarreta consigo uma grande imprevisibilidade quanto ao futuro imediato do nosso Planeta".
As consequências que dela derivam, salientou o Presidente João Lourenço, atingem já todos os países do Planeta, em consequência da crise energética e da escassez de vários bens, que afectam a segurança alimentar e a economia mundial em geral. Em presença deste quadro "assustador", João Lourenço ressaltou que todos os esforços de mediação, na busca de soluções definitivas para o conflito no Golfo Pérsico e o desbloqueio incondicional do Estreito de Ormuz, para toda a navegação marítima internacional, devem ser "fortemente" encorajados.
Para o Presidente da República, não haverá desenvolvimento em África se não se trabalhar, de forma coordenada e em conjugação de esforços, para se garantir a paz, a estabilidade e a segurança. "Considero que o primeiro passo nesse sentido deve ser dado ao nível interno de cada um dos países africanos, para reinar a estabilidade, a convivência salutar entre as diferentes sensibilidades políticas nacionais e um consenso bastante aceitável em torno dos grandes desafios do desenvolvimento, da defesa dos direitos humanos e das liberdades democráticas", aclarou.
João Lourenço destacou, a propósito, o papel de Angola e do Gabão na contribuição da segurança, estabilidade e ao desenvolvimento da região e do continente, facto que disse estar a ser levado por diante, no âmbito da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC) e da Comissão do Golfo da Guiné.