• Resiliência japonesa considerada modelo de inspiração para Angola


    A resiliência do povo japonês foi considerada, nesta sexta-feira em Luanda, como um modelo de inspiração para o desenvolvimento económico de Angola.
    A afirmação foi proferida pelo ministro das Relações Exteriores durante uma audiência, no Salão Nobre “Paulo Teixeira Jorge” do MIREX, quando falava sobre a vinda do homólogo nipónico como um "sinal claro da vitalidade das relações entre a República de Angola e o Japão, bem como do compromisso comum com o seu fortalecimento".

    Na intervenção, citada por uma nota enviada ao JA Online, Téte António recordou que o Japão permanece com um parceiro de longa data, cujas relações diplomáticas distam de 1976 e evoluíram num quadro de respeito mútuo e cooperação consistente.

    Por outro lado, enalteceu a capacidade de inovação tecnológica daquele povo asiático que o torna numa referência para os angolanos.

    O titular da pasta do MIREX lembrou, igualmente, que esta cooperação atingiu um "momento determinante" e um "novo patamar estratégico" com a deslocação do Presidente da República ao Japão, em 2023.

    Além disso, reiterou o reconhecimento pelo apoio japonês em sectores considerados estruturantes e destacou o papel preponderante da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) na implementação dos programas e projectos de cooperação técnica, promovidos por Angola, na perspectiva de aprofundamento da cooperação económica bilateral.

    Afirmou também que o país prossegue com um programa de reformas orientado para a melhoria do ambiente de negócios e para a diversificação da economia.

    Teté António, manifestou, ainda, o interesse em ver o Japão assumir um papel central neste processo e convidou o sector público e privado nipónico a explorar oportunidades além do sector energético, com foco na agro-indústria, economia azul, energias renováveis e digitalização.

    Durante as conversações bilaterais, os dois ministros passaram em revista o estado actual da cooperação com realce as dinâmicas de cooperação nos planos bilateral e multilateral.

    Neste contexto, foram identificadas novas áreas de cooperação, com destaque para os domínios das terras raras e do petróleo, tendo reflectido o interesse japonês em aprofundar a parceira em sectores estratégicos para ambas as economias e as duas entidades trocaram impressões sobre os laços bilaterais no âmbito da União Africana e da Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento da África (TICAD).

    Já o ministro dos Negócios Estrangeiros japonês expressou solidariedade para com as populações afectadas pelas cheias que atingiram a província de Benguela e provocaram perdas humanas, destruição de habitações e danos em infra-estruturas essenciais, no passado mês de Abril.

    Estiveram presentes no encontro, de entre outras personalidades, o secretário de Estado para a Cooperação Internacional e Comunidades Angolanas, Domingos Custódio Vieira Lopes, e o embaixador do Japão acreditado em Angola, Hiroaki Sano.

    Conheça o perfil da cooperação entre Angola e Japão:

    Segundo o MIREX, as relações bilaterais entre a República de Angola e o Japão foram formalmente estabelecidas no dia 09 de Setembro de 1976, pouco depois da proclamação da Independência da República.

    Desde então, os dois países têm consolidado uma parceria assente no respeito mútuo, na cooperação para o desenvolvimento e no reforço progressivo dos laços políticos, económicos e culturais.

    Ao longo das décadas, esta relação evoluiu de um quadro essencialmente diplomático para uma cooperação estruturada e diversificada.

    Um marco importante ocorreu com a abertura da Embaixada de Angola em Tóquio, em Novembro de 2000, seguida pela abertura da Embaixada do Japão em Luanda, em 2005, o que permitiu maior dinamismo no diálogo político e institucional.

    No âmbito político-diplomático, Angola e o Japão mantêm um mecanismo regular de consultas bilaterais, formalizado através de um memorando assinado em 2011.

    Este instrumento tem facilitado o intercâmbio de visitas oficiais e o alinhamento de posições em matérias de interesse comum, sobretudo a cooperação no âmbito da Conferência Internacional de Tóquio para o Desenvolvimento de África (TICAD), onde Angola tem desempenhado um papel activo.

    A vertente económica constitui um dos pilares mais relevantes desta relação.

    O comércio bilateral caracteriza-se pela exportação angolana de combustíveis e recursos minerais, enquanto o Japão exporta para Angola veículos, equipamentos industriais, ferro e aço.

    Nos últimos anos, registou-se também um crescimento do investimento japonês em Angola, impulsionado por acordos como o de Promoção e Protecção de Investimentos, em vigor desde 2024, que cria um ambiente mais estável e atractivo para investidores de ambos os países.

    O Japão tem desempenhado um papel relevante através da agência de cooperação, a JICA, que apoia projectos em sectores estratégicos como educação, saúde, agricultura, energia, formação profissional e telecomunicações.

    A cooperação estende-se ainda à área das infra-estruturas e desenvolvimento económico, com projectos ligados ao Porto do Namibe, sistemas de abastecimento de água, energias renováveis e expansão de redes eléctricas.