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Política
18 Junho de 2024 | 08h06

ONU mobiliza mais de três milhões de dólares para o combate à seca no país

A Organização das Nações Unidas (ONU) mobilizou mais de três milhões de dólares do Fundo Central de Resposta a Situações de Emergência (CERF) para complementar, nos próximos seis meses, os esforços do Governo angolano no combate aos efeitos da seca nas províncias da Huíla e do Cunene.

A informação foi avançada, segunda-feira, na cidade do Lubango, pela coordenadora do Sistema da ONU em Angola, Zahiri Virani, durante o seminário sobre "gestão sustentável dos solos como instrumento de combate à desertificação”, que marcou as celebrações do Dia Mundial de Combate à Desertificação, assinalado ontem.

Zahiri Virani lembrou que Angola tem enfrentado, nos últimos anos, períodos prolongados de seca, sobretudo no Sul do país, em consequência das mudanças climáticas, como o fenómeno El Niño, que afecta a Região Austral do continente africano no seu todo.

"A colaboração e coordenação com o Governo angolano, Organizações Não-Governamentais e o sector privado é crucial para a implementação eficaz destas iniciativas”, referiu a alta funcionária do Sistema das Nações Unidas em Angola.

Essa situação, sublinhou, tem agravado a insegurança alimentar, diminuindo a disponibilidade de água potável e aumentando a vulnerabilidade de comunidades rurais.

Zahiri Virani ressaltou que a desertificação e a degradação dos solos comprometem a capacidade de produzir alimentos e manter os meios de subsistência, criando, deste modo, um ciclo vicioso de pobreza e desigualdade social.

Como saída para a inversão deste quadro, a coordenadora do Sistema das Nações Unidas em Angola defendeu a necessidade de se continuar a promover práticas agrícolas sustentáveis, proteger e restaurar as florestas e investir em tecnologias que permitam uma gestão mais eficaz e eficiente dos recursos hídricos.

A coordenadora apelou, igualmente, a uma maior unidade de todos em torno do combate à desertificação e aos efeitos da seca. "Precisamos do compromisso de todos, desde os líderes comunitários, actores e cidadãos individuais, para assegurar que as futuras gerações possam herdar um país mais verde e próspero”, destacou a responsável, assegurando que as Nações Unidas, através dos programas e agências especializadas, vão continuar a apoiar as iniciativas de combate à desertificação e aos efeitos da seca em Angola.

Há uso inadequado dos recursos florestais

A ministra do Ambiente apontou, na ocasião, o uso inadequado dos recursos florestais, em especial os da biomassa, as práticas agro-pecuárias de forma intensa e predatória, o desmatamento, as queimadas e secas severas, como uma das causas para o surgimento da desertificação acelerada que o país enfrenta, com realce para a Região Sul.

Ana Paula de Carvalho salientou que a protecção da Terra e dos solos é uma situação global que deve merecer a actuação urgente e em conjunto, para garantir que as futuras gerações possam ter acesso aos recursos naturais vitais. "Hoje é mais um daqueles dias em que somos chamados a reflectir como indivíduos e como colectivo sobre as mudanças de comportamento que devemos adoptar, para que possamos deixar a Terra melhor do que encontramos", defendeu a ministra do Ambiente, acrescentando que a garantia do futuro seguro implica a realização de acções que contribuam para se manter o equilíbrio ecológico através de práticas a favor do ambiente. Ana Paula de Carvalho recordou que o foco global do Dia do Combate à Desertificação e Seca de 2024 está no futuro da gestão da Terra, sublinhando que, em cada ano, se perdem cerca de 10 milhões de terras saudáveis por conta das más práticas humanas.

Por seu turno, o governador da província da Huíla, Nuno Mahapi Dala, referiu que a insegurança alimentar ameaça a sustentabilidade e o bem-estar das populações, pelo que disse ser necessário a adopção de técnicas de uma agricultura de irrigação, de modo a aproveitar melhor e de forma mais racional o potencial hídrico disponível.

O seminário sobre "gestão sustentável dos solos como instrumento de combate à desertificação” decorreu sob o lema "Unidos pela Terra: nosso legado, nosso futuro”. O Dia Mundial de Combate à Seca e Desertificação é comemorado, todos os anos, a 17 de Junho. A data tem como objectivo sensibilizar a opinião pública para questões que têm que ver com a desertificação, degradação dos solos e secas, destacar soluções implementadas pelo homem para combater a desertificação, inverter a tendência de más práticas contra o meio, entre outros. A data foi declarada oficialmente, em 1994, pela Assembleia-Geral das Nações Unidas.

 

Fonte: Jornal de Angola



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