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10-09-2020 Angola defende implementação da agricultura de precisão

Angola defendeu esta quarta-feira, na cidade de Roma, Itália, a criação de uma ampla base de trabalho inclusivo de apoio ao fomento da implementação da agricultura de precisão.

A posição do país foi manifestada pela embaixadora Fátima Jardim durante a 130ª sessão do Conselho de Administração do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), que decorre de oito a 11 deste mês na sede desta agência da Organização das Nações Unidas (ONU), sob o lema “Agricultura de precisão para favorecer a transformação inclusiva dos sistemas alimentares”.

Angola considera que o desenvolvimento da agricultura de precisão pode ser o caminho a seguir pelos camponeses, assim como pelos pequenos, médios e grandes agricultores, para o aumento da produtividade e a diminuição de custos de produção e racionalização do uso dos solos.

 O conceito de agricultura de precisão surgiu na década de 1980 como combinação de técnicas e tecnologias voltadas para uma prática agrícola mais precisa e controlada. Com o tempo, este tipo de agricultura evoluiu, incorporando uma série de tecnologias de informação e comunicação, assim como as digitais, a fim de optimizar a produção agrícola.

 O país defende ainda um investimento de forma intensiva nas novas gerações, em particular os jovens que vivem nas zonas rurais e, em simultâneo, aproveitarem-se as escolas de campo para actualizar os agricultores e sensibilizá-los para as vantagens na utilização das novas tecnologias.

 Para Angola, a componente da agricultura de precisão deve ser integrada no desenho dos novos projectos, tendo em conta as especificidades dos países, em termos de níveis de escolaridade, qualificação dos trabalhadores rurais, bem como a qualidade e quantidade dos níveis de infra-estruturas existentes.

Sugere, a propósito, que o FIDA colabore com os institutos médios e superiores de agronomia, veterinária e pescas, centros de pesquisa e as instituições internacionais credíveis ligadas ao tema para a troca de informações, sensibilização e a transmissão de conhecimentos aos jovens sobre os novos desafios da agricultura nos seus países e as potencialidades da agricultura de precisão, para promover o seu desenvolvimento.

A representante permanente de Angola no FIDA refere que as políticas de intervenção, públicas e privadas, devem ser adequadas para reduzir a fome, a pobreza e a desnutrição em África.

Nesta senda, ressalta que para acelerar a transformação e o desenvolvimento da sustentabilidade rural, a visão da agricultura tornou-se multidimensional e é necessário construir alianças e fortalecer iniciativas.

“As iniciativas estimuladoras serão essenciais e gostaríamos de felicitar o presidente do FIDA  Gilbert Fossoun Houngbo de mãos dadas”, acrescentou Fátima Jardim.

Na óptica de Angola, disse, “o papel da mulher deve ser particularmente considerado, como refere o documento do secretariado, a fim de eliminar-se a descriminação que tem sido ainda alvo no trabalho agrícola”.

Para a diplomata angolana, as mulheres e jovens devem ser destaque, já que na África Subsaariana, representam 72% da força de trabalho agrícola e podem galvanizar o papel de liderança no continente.

Referiu ainda que se deve enfatizar a integração da acção climática como resposta para se melhorar a previsão do tempo e melhor preparação de programas integrados adequados às alterações climáticas.

O FIDA apresentou uma informação sintética sobre o seu trabalho durante o período da Covid-19 e o apoio prestado pela organização aos países com maiores dificuldades.

Alguns países solicitaram ainda que se inclua em todas as agendas dos conselhos, um ponto referente à reforma da ONU e uma discussão sobre o tema do racismo no próximo conselho.

 

Fonte: Angop