26-10-2016 Cultura
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Alguns dados estatísticos importantes sobre Angola, de acordo com os resultados definitivos do Recenseamento Geral da população e Habitação, divulgados em Março de 2016

 

  • Angola tem uma população de 25.789.024 habitantes, dos quais 13.289.983 são mulheres e 12.499.041 são homens.
  • Luanda, a capital da República de Angola, tem 6.945.386 de habitantes.
  •  As 7 províncias mais populosas do país ultrapassam cada uma o milhão de habitantes. Depois de Luanda vem a Huíla (2.497.422), Benguela (2.231.385), Huambo (2.019.555), Kwanza Sul (1.881.873), Uíge (1.483.118) e Bié (1.455.255).
  • As províncias menos populosas do país são, em ordem decrescente, o Zaire, Lunda Sul, Kuando Kubango, Namibe, Kwanza Norte e Bengo, não ultrapassando nenhuma delas os 700 mil habitantes.
  • Em Angola existem 20,6 habitantes por km2.Contudo, a média de Luanda, a capital é de 368,9 habitantes por km2.
  • 65% da população angolana tem de 0-24 anos. Apenas 2,3% tem de 65 anos para cima.
  • A esperança de vida média é de 60.29 anos, sendo 57.59 anos para os homens e 63 anos para as mulheres.
  • A taxa de fecundidade (filhos/mulher) é de 5,7 e a taxa de crescimento natural é de 2.7%.
  • 66% da população com 15 ou mais anos de idade sabe ler e escrever.
  • Foram recenseadas em Angola 586.480 pessoas de nacionalidade estrangeira, representando 2,3% do total da população.
  • Existem em Angola 5.544.834 agregados familiares, com uma média de 4,6 pessoas por agregado.
  • 62% dos agregados familiares são chefiados por homens e 38% por mulheres.
  • 41% da população residente no país professa a religião católica, 38% a protestante, 12% sem religião, 1% a animista, 0,4% a islâmica, 0,2% a judaica e 7% outra aqui não especificada.
  • 76% dos agregados familiares vivem em casa própria, 19% em casa arrendada e 5% em casa cedida ou ocupada.
  •  44% dos agregados familiares têm acesso a fontes apropriadas de água.
  • 25% dos agregados familiares dá o tratamento apropriado à água para beber.

  

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A cultura angolana é tributária das etnias que se estabeleceram no país há séculos, como os Ovimbundu, Ambundu, Bakongo, Côkwe e Ovambo. Os portugueses chegaram à região de Luanda e mais tarde também a Benguela a partir do século XVI, chegando a ocupar o território correspondente à Angola de hoje durante o século XIX e mantendo o controlo do mesmo até 1975. Esta presença redundou em fortes influências culturais, a começar pela introdução da língua portuguesa e do cristianismo. Esta influência nota-se particularmente nas cidades onde hoje vive mais de metade da população. No lento processo de formação uma sociedade com referências identitárias cada vez mais comuns em Angola, que continua até hoje, registam-se por tudo isto "ingredientes" culturais muito diversos, com algumas especificidades que variam de região para região.

Origem

O território da República de Angola é habitado desde o Paleolítico Superior, como indica a presença dos numerosos vestígios desses povos recolectores dos quais se deve salientar a existência de numerosas pinturas rupestres que se espalham ao longo do território. Os seus descendentes, os povos San, foram empurrados pelos invasores posteriores, os bantu, para as areias do deserto do Namibe. Estes povos invasores, caçadores, provinham do norte, provavelmente da região onde hoje estão a Nigéria e os Camarões. Em vagas sucessivas, os povos bantu começaram a alcançar alguma estabilização e a dominar novas técnicas como a metalurgia, a cerâmica e a agricultura, criando-se a partir de então as primeiras comunidades agrícolas. Esse processo de fixação vai até aos nossos dias, como é o caso do povo Côkwe ou Kioko, que em pleno século XX se espalhou pelas terras dos povos designados como Ganguela.

A fase de estruturação dos grupos étnicos e a consequente formação de reinos, que teriam começado a ficar autónomos, decorreu sobretudo até ao século XIII. Por volta de 1400, surgiu o Reino do Kongo. Mais tarde destacou-se deste, no sul, o Reino do Ndongo. O mais poderoso foi o Reino do Kongo, assim chamado por causa do povo Kongo que vivia, então como agora, nas duas margens do curso final do Rio Kongo (Zaire). O Mani Kongo, ou rei Kongo, tinha autoridade sobre o noroeste da moderna Angola, governando através de chefes menores responsáveis pelas províncias. O Reino do Ndongo era habitado pela etnia Ambundu, e o seu rei tinha o título de Ngola. Daí a origem do nome do país. Outros reinos menores também se formaram nesse período. Os reinos surgem da efectivação de um poder centralizado num chefe de linhagem (Mani, palavra de origem bantu) que ganhou o respeito da comunidade com seu prestígio e poder económico. Os reinos começam a conquistar autonomia provavelmente a partir do século XII.

Em 1482, um ano depois de assumir o governo, Dom João II mandou Diogo Cão, seu escudeiro, prosseguir a descoberta para o Sul da África. Neste propósito, Diogo Cão partiu de Lisboa com duas caravelas, no final de 1482, e chegou à foz do rio Zaire.

A presença dos portugueses tornou-se uma constante desde o final do século XV (1482). Diogo Cão, comandante das caravelas foi bem acolhido pelo governador local do reino do Congo que estabeleceu relações comerciais regulares com os colonizadores. Mas o reino de Ngola manteve-se hostil. Entre 1605 e 1641 ocorreram grandes campanhas militares dos colonizadores com o objectivo de conquistar as terras do interior e implantar o domínio político do território.

A dominação não foi tarefa fácil. Os chefes Ngola resistiram e, graças sobretudo à liderança da rainha Njinga Mbande(1583-1663), que tinha grande habilidade política, o poder foi mantido com o reino dos Ngola por mais algumas décadas.

Também os reinos de Matamba e Kassange mantiveram a sua independência até o século XIX.

Em 1617, Manuel Cerveira Pereira deslocou-se ao litoral sul, subjugou os sobas (reis) dos povos Mudombe e Hanha e fundou o reino de Benguela, onde, tal como em Luanda, passou a funcionar uma pequena administração colonial. O tráfico de escravos passou a ser o grande negócio, interessando aos portugueses e africanos, mas provocou um esvaziamento da mão-de-obra do campo. A agricultura decaiu, causando grande instabilidade social e política. A estratégia adoptada pela metrópole para a economia angolana baseava-se na exportação de matérias-primas produzidas na colónia, incluindo borracha e marfim, além dos impostos cobrados à população nativa. As disputas territoriais pelas terras africanas envolviam países económica e militarmente mais fortes como a França, Inglaterra e Alemanha, o que constituía motivo de grande preocupação para Portugal que começou então a ver a urgência de um domínio mais eficaz do território conquistado. Por isso, reformou a sua política colonial no sentido de uma ocupação efectiva dos territórios. A partilha do continente viria a acontecer algum tempo mais tarde, na Conferência de Berlim (1885). Os territórios sob domínio português, Angola e Benguela, foram fundidos, recebendo estatuto de Província.

A partir da década de 1950 apareceram os primeiros movimentos nacionalistas organizados que reivindicavam a independência de Angola. Houve uma oposição armada ao colonialismo português levada a cabo pelo MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) fundado em 1956, pela FNLA (Frente Nacional de Libertação de Angola) fundada em 1961 e pela UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola), fundada em 1966. Depois de uma luta armada de 14 anos contra a ocupação colonial portuguesa, o país alcançou a independência a 11 de Novembro de 1975. A conquista da independência não significou a chegada da paz, uma vez que o país foi invadido nas vésperas da mesma pelo exército racista da África do Sul e pelo exército da República do Zaíre, de Mobutu. Uma longa batalha pela manutenção da integridade territorial, da soberania de Angola foi levada a cabo pelo governo de Angola independente, com o apoio de Cuba, da então União Soviética e de outros países, que culminou com a expulsão das forças estrangeiras invasoras, a proclamação da independência da Namíbia e o fim do regime do apartheid da África do Sul. A paz foi finalmente alcançada, sob a condução do Presidente da República, Engenheiro José Eduardo dos Santos, a 4 de Abril de 2002.

 

Arte

Tal como noutros países africanos, as máscaras de madeira e as esculturas em Angola não são criações meramente estéticas. Elas têm um papel importante em rituais culturais, representando a vida e a morte, a passagem da infância à vida adulta, a celebração de uma nova colheita e o começo da estação da caça. Os artesãos angolanos trabalham a madeira, o bronze e o marfim, nas máscaras ou em esculturas. Cada grupo étnico-linguístico em Angola tem os seus próprios traços artísticos. Talvez a peça mais divulgada ou referenciada da arte angolana seja o "Pensador de Côkwe", uma obra-prima da harmonia e simetria da linha. O Lunda-Côkwe na parte nordeste de Angola é conhecido também pelas suas artes plásticas superiores. Outras peças conhecidas da escultura angolana são: a máscara fêmea Mwanaa-Pwo, as máscaras policromáticas Kalwelwa, as máscaras de Cikungu e de Cihongo, a princesa Lweji e o príncipe da civilização Tschibinda-Ilunga, bem como a arte em cerâmica preta do Moxico, no centro/leste de Angola.

 

Línguas

O português é a língua oficial de Angola, a qual coexiste com várias línguas nacionais e é falada em casa por 71% dos angolanos. Depois vem o umbundu, com 23%, o Kimbundu com 8%, kikongo com 8%, o chokwe com 7%, o nhaneca com 3%, o nganguela com 3%, o fiote com 2%, o kwanhama com 2%, o muhumbi com 2%, o luvale com 1% e outras línguas aqui não especificadas corresponde a 4%.