Ministro quer uma nova RNA mais moderna e próxima dos cidadãos
O ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, Mário Oliveira, defendeu, quarta-feira, em Luanda, uma profunda transformação da Rádio Nacional de Angola (RNA), com foco na modernização tecnológica, mudança de mentalidade dos profissionais e maior valorização das línguas nacionais.
As declarações foram feitas na abertura das Jornadas de Produção Radiofónica da RNA, que decorre até amanhã, promovidas sob o lema “Rádio Nacional de Angola, 50 anos a unir o país”, evento que reúne membros do conselho executivo, directores provinciais, jornalistas e convidados para reflectir sobre a modernização tecnológica, os conteúdos e o reforço do serviço público de radiodifusão.
Mário Oliveira afirmou que as jornadas constituem um momento estratégico para repensar o papel da Rádio no presente e no futuro, destacando a importância da participação de todos os profissionais na definição dos novos rumos da estação radiofónica pública.
Segundo o ministro, o processo de modernização em curso na emissora deve ir além da aquisição de equipamentos e infra-estruturas, exigindo igualmente uma mudança de postura por parte dos profissionais. “O investimento em tecnologia só produzirá resultados efectivos se for acompanhado por uma mudança de comportamento e de atitude”, sublinhou.
O ministro defendeu ainda uma rádio mais próxima dos cidadãos, capaz de informar, educar e entreter. Mário Oliveira sublinhou que esta proximidade deve ser alcançada sem nunca perder de vista a missão de serviço público da estação, focada na promoção da unidade nacional, da paz e do progresso social.
Na ocasião, o responsável apelou aos profissionais para reforçarem a utilização das línguas nacionais na programação, através da produção de conteúdos capazes de reflectir as realidades locais e responder às necessidades informativas das comunidades, garantindo que todos os angolanos tenham acesso à informação. “Nenhum angolano deve ficar para trás. O facto de não falar português não pode ser impedimento de conhecer o país e contribuir para o seu desenvolvimento”, frisou.
Qualidade do serviço
Por sua vez, o presidente do Conselho de Administração (PCA) da RNA, Sebastião Lino, afirmou que as jornadas representam o início de uma nova etapa de reflexão sobre a qualidade do serviço público prestado pela instituição.
O processo, explicou, começou com as pré-jornadas realizadas em todas as províncias, envolvendo mais de 500 profissionais, cujas contribuições servirão de base para a revisão da grelha de programação das rádios nacionais, provinciais, regionais e dos canais especializados.
Entre os principais temas em debate, destacam-se a qualidade dos conteúdos, as condições técnicas e logísticas de produção, a modernização tecnológica e o fortalecimento das línguas nacionais nas antenas da RNA.
O PCA considerou que o programa de expansão e modernização em curso está a transformar a emissora, melhorando as condições técnicas, a qualidade do sinal e preparando a rádio para reforçar a sua presença nas plataformas digitais.
Maior proximidade
Os directores das rádios provinciais manifestaram expectativas quanto aos resultados das jornadas e defenderam uma programação mais próxima das comunidades.
A directora da Rádio Huambo, Ivone de Lurdes, defendeu a valorização das línguas nacionais, em particular o umbundu, e uma programação mais interactiva, ajustada aos interesses dos ouvintes.
Por sua vez, o director da Rádio Bié, Jonas Albino, considerou que as jornadas permitirão padronizar a programação em todo o país. O responsável apresentou ainda como proposta a criação de um canal inteiramente dedicado às línguas nacionais na província.
O director da Rádio Huíla, Augusto José, destacou a necessidade de reforçar o jornalismo de proximidade e de expandir a presença da Rádio nas plataformas digitais, acompanhando os hábitos de consumo de informação da população.
O director da Rádio Benguela, Jilceu de Almeida, ressaltou a experiência da emissora provincial na produção de conteúdos especializados e em língua nacional, defendendo o aproveitamento das novas tecnologias para o aumento das transmissões em directo e melhoria da cobertura das zonas ainda afectadas por limitações técnicas.
O encontro prossegue até amanhã, com painéis dedicados à modernização da produção radiofónica, à inovação tecnológica, à programação, ao jornalismo de proximidade e ao papel das línguas nacionais no fortalecimento do serviço público.